Sexta-feira, 31 de Março de 2006

E depois?!? Quem é que não gosta de sonhar?...

Ela estava na esplanada, revia as últimas palavras da revista cor de rosa, que tinha apenas comprado para fazer passar o tempo fútil.

Tomava um café, embebida pelo bocejar do texto, sem contexto, numa mansidão de dúvidas e motivos fugazes.

Perguntaram se podiam ocupar a cadeira ao lado da dela, nem sequer se deu ao trabalho de levantar os olhos, num desprezo incongruente para com o animal que se permitia acordá-la do seu torpor.

Uma remirada imperceptível, enquanto procurava a chávena de café quase vazia, apenas para verificar quem a havia importunado. Não gostou, o rosto era demasiado cínico e duro.

Um levantar apressado sem sentido, um passajar rápido pelas montras, enquanto sem pressa se dirigia para o seu destino.

Um calafrio na nuca como alguém lhe seguisse os passos e a olha-se fixamente, como se a tentasse despir, tirar cada peça de roupa que levava, sem pressa, sem temores de ser surpreendido.

Estacou, deu um trejeito rápido no cabelo, serviu-se mais uma vez da montra como espelho, sorriu e sem pressas, dirigiu-se para casa pelo caminho mais longo.

Pelo caminho foi sonhando que era levada para um motel, ali bem perto, pelo desconhecido.

Que tinham entrado os dois, sem nunca se conhecerem ou trocarem qualquer palavra, rápidos, céleres, tinham subido para o quarto.

Ele despiu-lhe os jeans, tirou-lhe o casaco, beijo-a levemente nos lábios, volto-a, continuou impunemente a beijá-la e ela sôfrega, gemia baixinho com vontade de se entregar.

Pegou nela ao colo, totalmente nua e deito-a na cama, enquanto expandia os beijos pelo seu corpo, sem cerimónias, deixando que a lassidão a invadisse.

Ela revolveu-se, mudou de posição, tirou-lhe a camisa, as calças e os boxers, colocou-se em cima dele e ofereceu-lhe os seios túrgidos e duros de prazer.

Deu-se toda, enquanto num frenesim avassalador gritava de prazer…

Mais uma vez, outra vez, sem parar, como se o mundo acabasse amanhã e este pecado nunca mais terminasse.

Tocou levemente no sonho, tirou as chaves da carteira, entrou em casa, envergonhada, sem saber muito bem, como explicar o que lhe tinha passado pela cabeça.

Outro dia, trabalho monótono, ecrã vazio, um envelope branco apenas, sem remetente, um cartão sem assinatura com umas palavras escritas à pressa e sem significado:

“Eu também sonhei contigo…”

 

McClaymore

publicado por McClaymore às 17:59
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2 comentários:
De rosmaninho a 1 de Abril de 2006 às 01:47
Olá meu amigo.

Fiquei agradavelmente surpreendida por saber que me lês, para além de ser sempre bom receber elogios, principalmente de quem escreve como tu. E tenho todo o gosto em enviar-te o texto original para que o publiques, mas a única forma de o fazer é aqui, já q não tens um link para e-mails. Por isso, o próximo comentário é unica e exclusivamente o texto original.

Também eu gosto de ler.

Beijos

R
De Uxka a 1 de Abril de 2006 às 18:38
Tudo, mas literalmente tudo, é possível.
5 estrelas e agora aguardo a resposta, if you know what i mean. Inté

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